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MEU PEQUENO ARQUIVO DE ATIVIDADES DE ARTE DA WEB.
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quarta-feira, 7 de julho de 2010


http://www.silverio.pro.br/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=53 TEXTOS PARA ILUSTRAR:


O GALO QUE CANTAVA PARA FAZER O SOL NASCER - Rubem Alves
Era uma vez um galo que acordava bem cedo todas as manhãs e dizia para a bicharada do galinheiro:
-- Vou cantar para fazer o sol nascer...
Ato contínuo, subia até o alto do telhado, estufava o peito, olhava para o nascente e ordenava, definitivo:
-- Có-có-ri-có-có...
esperando.
Dali a pouco a bola vermelha começava a aparecer, até que se mostrava toda, acima alas montanhas, iluminando tudo.
O galo se voltava, orgulhoso, para os bichos e dizia:
-- Eu não falei?
E todos ficavam boquiabertos e respeitosos ante poder tão extraordinário conferido ao galo: cantar pra fazer o sol
nascer.
Ninguém duvidava. Tinha sido sempre assim. Também o galo-pai cantara para fazer o sol nascer, e o galo-avô.
Tal poder extraordinário provocava as mais variadas reações.
os próprios galos não estavam de acordo. E isto porque não havia um galo só. Quando a cantoria começava, de
madrugada, ela ia se repetindo pelos vales e montanhas. Em cada galinheiro havia um galo que pensara a mesma
coisa e julgava todos os outros uns impostores invejosos. Além do que não havia acordo sobre a partitura certa para
fazer o sol nascer. Cada um dizia que a única verdadeira era a sua -- todas as outras sendo falsificações e heresias. Em
cada galinheiro imperava o terror. Os galos jovens tinham de aprender a cantar do jeitinho do galo velho, e se houvesse
algum que desafinasse ou trocasse bemóis por sustenidos, era imediatamente punido. Por vezes, a punição era um ano de
proibição de cantar. Sendo mais grave o desafino, ameaçava-se com o caldeirão de canja do fazendeiro, fervendo sobre o
fogão de lenha.
-- Menino, ou você cocorica direito, como deve, ou o denuncio ao fazendeiro...
A ameaça era suficiente para fazer tremer e obedecer os mais rebeldes.
Quando, pela manha, não mais se ouvia o cantar de algum galo ao longe, o dono do terreiro observava, contente:
-- Com certeza virou canja. Bem feito. Quem mandou cantar diferente?
Depois, havia grande ansiedade entre os moradores do galinheiro. E se galo ficasse rouco? E se esquecesse da
partitura?
Quem cantaria para fazer nascer o sol? O dia não amanheceria. E por causa disso cuidavam do galo com o major
cuidado. Ele, sabendo disso, sempre ameaçava a bicharada, para ser mais bem tratado ainda.
-- Olha que eu enrouqueço!, dizia.
E todos se punham a correr, para satisfazer as suas vontades.
O galo, por sua vez, tinha enormes oscilações emocionais. Pela manha, depois de o sol nascer, sentia-se como um deus,
onipotente e admirado. E não era para menos. Mas à noite vinham a depressão e a ansiedade.
Não posso perder a hora, ele dizia. Se eu não cantar, o sol não vai nascer. E não conseguia dormir um sono tranquilo.
Isto, na verdade, acontece com todas as pessoas que se acham poderosas assim. Paira sempre sobre elas a ameaça de
fim do mundo.
Aconteceu, como era inevitável, que certa madrugada o galo perdeu a hora. Não cantou para fazer o sol nascer.
E o sol nasceu sem o seu canto.
O galo acordou com o rebuliço no galinheiro. Todos falavam ao mesmo tempo.
-- O sol nasceu sem o galo... O sol nasceu sem o galo...
O pobre galo não podia acreditar naquilo que os seus olhos viam: a enorme bola vermelha
lá no alto da montanha.Como era possível? Teve um ataque de depressão ao descobrir que o seu canto não era tão poderoso como sempre
pensara. E a vergonha era muita.
Os bichos, por seu lado, ficaram felicíssimos. Descobriram que não precisavam do galo para que o sol nascesse. O sol
nascia de qualquer forma, com galo ou sem galo.
Passou-se muito tempo sem que se ouvisse o cantar do galo, de deprimido e humilhado que ele estava. O que era uma
pena: porque é tão bonito. Canto de galo e sol nascente combinam tanto. Parece que nasceram um para o outro.
Até que, uma bela manhã, o galinheiro foi despertado de novo com o canto do galo. Lá estava ele, como sempre, no
alto do telhado, peito estufado.
-- Está cantando par fazer o sol nascer? Perguntou o peru em meio a uma gargalhada.
-- Não, ele respondeu. Antes, quando eu cantava para fazer o sol nascer eu era doido varrido. Mas agora eu canto porque o sol vai nascer. O canto é o mesmo. E eu virei poeta.

segunda-feira, 5 de julho de 2010


TEXTOS PARA ILUSTRAR
                                                      

1.BEM TE VI     CORA CORALINA






Bem-te vi… Bem-te-vi…         



Que terás visto?
Há quanto tempo tu avisas, bem-te-vi…
Bem-te-vi da minha infância, sempre a gritar,
e não viste nada.



Meu aminguinho,preto-amarelo.
Em que ninho nasceste,de que ovinho viste,
e quem te ensinou a dizer: Bem-te-vi?…
Bem te vejo,queria eu também cantar e repetir
para ti: Bom dia, bem te vejo,te escuto.
Bem-te-vi sobrevivente
de tantos que já não voam sobre o rio,
nem pousam nas palmas dos coqueiros altos…



Mostra para mim, meu velho companheiro de uma infância ultrapassada, tua casa, tua roça,teu celeiro, teu trabalho,tua mesa de comer,tuas penas de trocar,
leva-me à tua morada de amor e procriar.
Vamos ao altar de Deus agradecer ao criador
não desaparecerem de todo os Bem-te-vis
dos Reinos de Goiás.



Canta para mim, tão antiga como tú,
as estorinhas do passado.
Bem-te-vi inzoneiro,malicioso e vigilante.
Conta logo o que viste,fuxiqueiro do espaço,
sempre nas folhas dos coqueiros altos,
que também vão morrendo devagar como morrem os coqueiros,
comidos de velhice e de lagartas.



Driblando na Rua - José A. Linhares
A bola rola
rebola, embola.

A algazarra, a garra,
a farra, o gol na marra

A alegria, a folia,
a magia, a gritaria.

O menino corre.
O sol explode.
O suor escorre.

A bola bate,
rebate, no combate voa.

A vidraça parte,
rebate, no combate voa.

A vidraça parte,
reparte, estilhaça.

Dona Sinhá vem pra rua.
A meninada pára.
O coração dispara.
A fuga. O silêncio.

A bola, o menino,
Os cacos.
Fim de jogo.
Dois a zero.